E, por fim, meu Imaculado Coração triunfará!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Atenção!


Salve Maria!

Gostaria de comunicar a todos que este blog será desativado, agradeço aos que o visitaram e postaram comentários, aproveito para comunicar que estou com um blog novinho em folha e totalmente tradicional, me atentarei a postar assuntos da fé católica no seu mais puro e genuíno conteúdo. Vocês encontrarão meu novo endereço CLICANDO AQUI.

Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Católico Tradicional

O que deve, portanto, significar de modo profundo e sobrenatural, o termo Tradição? Apenas porque somos ligados à Fraternidade S. Pio X? Ou porque assistimos a missa Tridentina? Ou ainda, porque combatemos Vaticano II? Não é isso que nos faz fiéis da Tradição. Por outro lado, esses conservadores de todos os matizes, pedantes e falsamente obedientes, resvalando como estão na religião da opinião, podem pretender ser católicos da Tradição?

O católico da Tradição é quem, em tudo, age pela Fé sobrenatural: “Meu justo vive de Fé” (Galatas, 3, 11). O católico da Tradição baseia seu conhecimento naquilo que é verdadeiro, infalível e profundo, buscando a coisa como ela é, na sua realidade, e não na opinião que, subjetivamente, se forma no coração do homem. O católico da Tradição fortalece seu espírito na Esperança teologal ao se deparar com os erros atuais, inclusive quando são difundidos pelo papa e por Roma; não o escondem, não o justificam, preferindo considerar, com a Imitação de Cristo, o que foi dito e não quem o disse.

O católico da Tradição prova seu amor e seu zelo pela Igreja dando sua vida por Nosso Senhor, não se importando com as duras perseguições que sofre ao denunciar o erro, mas unindo-se ao Cristo crucificado, na Paixão da Igreja. Na prática, deve sempre o católico da Tradição estudar a doutrina e os eventos relativos à crise da Igreja na sua profundidade, com humildade e espírito de obediência, sempre se perguntando se conhece de fato o que é essencial, e não apenas situações secundárias. Jamais passaria pela cabeça de um católico da Tradição, fazer chacota e piada com os escândalos que nos massacram, como fazem esses superficiais conservadores. E isso é sinal de que não podem ser verdadeiros católicos da Tradição.

Finalmente, o Católico da Tradição reza sem cessar, confia a Deus seus cuidados e seus sofrimentos, pedindo que lhe venham as graças necessárias para perseverar na verdade acima de tudo, preservando-o do espírito superficial e subjetivo. 

Só assim poderá o católico desenvolver em sua alma uma personalidade espiritual, a essência do seu catolicismo, a fé verdadeira fundada na verdade e o amor perfeito que dá a vida por Cristo crucificado e pela Igreja.
Dom Lourenço Fleichman OSB

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A PROFECIA DE SÃO NILO

São Nilo, Eremita do século V, amigo e discípulo de São João Crisóstomo, Superior de um Mosteiro de Ancira, na Galácia, morreu no ano 430. Sua Profecia foi inserida na importante obra de Hagiografia: “Bibliotheca Sanctorum”, vol. IX, p. 1008.

Antes de apresentarmos essa Profecia, é bom fazer algumas considerações iniciais, para que a sua simples leitura não seja superficial, nem passem desapercebidas as coisas e acontecimentos que ela nos revela. Essa profecia tem mais de 1570 anos, o que equivale a mais de XV séculos e meio, e é de estilo Apocalíptico. Humanamente falando: é absolutamente impossível que um homem, sem a ajuda de Deus, possa conhecer o futuro, dizendo, com incrível precisão, as coisas que estão por acontecer.

São Nilo, que viveu no século V, disse que sua Profecia realizar-se-ia no século XX. A indicação da época em que esta viria realizar-se e a sua realização revela a sobrenaturalidade da profecia, ou seja, faz-nos ver que foi Deus que falou, afastando, assim, a argumentação de que sua realização seja apenas uma mera coincidência, ou fruto de uma interpretação comodata dos textos proféticos da Bíblia.

A predição da época, e a sua realização, é um testemunho que faz brilhar a onisciência de Deus, e sinal de que a Profecia não veio do homem, mas de Deus. Ora, nem o homem e, segundo a teologia, nem os Anjos e nem os Demônios podem conhecer, com certeza, o que irá acontecer, porque têm a inteligência limitada. Deus, porém, pode conhecer, com certeza, o que irá acontecer, num futuro próximo ou longínquo, porque sua inteligência é ilimitada, ou seja, compreende tudo: o presente, o passado e o futuro.

A inteligência do homem mau compreende o presente; a do Anjo compreende o presente e o passado; e tanto um como o outro, não podem, de maneira absoluta, conhecer o futuro. Portanto, a Profecia de São Nilo, que trás a compreensão exata de coisas futuras, que viriam acontecer XV séculos depois de sua predição, só pode ter a Deus por autor.

A Profecia de São Nilo deve ser considerada como uma interpretação divina e profética das Profecias Bíblicas, porque nos indica o tempo exato em que elas iriam realizar-se.

Deus quis, por meio dessa Profecia, assistir à sua Igreja, nestes tempos conturbados pelo qual ela está passando, porque essa Profecia é um Dom do Espírito Santo, o qual foi prometido aos Apóstolos para guiar toda a Igreja no caminho da verdade como tal, conforme disse nosso Senhor Jesus Cristo: “Quando vier, porém, o Espírito de verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-se-vos-á as coisas que estão para vir.” (Jô. 16, 13). As “coisas que estão para vir” são todas aquelas “coisas” que foram profetizadas por nosso Senhor Jesus Cristo, pelos  Profetas e pelos Santos Apóstolos, ou seja, as “coisas que estão para vir” são as Profecias que dizem respeito ao final dos tempos e sobre a aparição do Anticristo.

O Espírito Santo, por meio de seus Dons de Profecia, anunciará o tempo exato, em que todas estas coisas acontecerão. A Profecia de São Nilo anuncia, de maneira extraordinária, o tempo exato em que os sinais da Parusia, profetizados por nosso Senhor Jesus Cristo e pelos Santos Apóstolos, viriam acontecer.

Embora a Profecia de São Nilo indique a época de sua realização, isto não contradiz em nada o que está escrito: “Mas, quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os Anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai”. (Mt. 24, 36).
Não contradiz, porque a Profecia indica o século, e não o dia e a hora, em que os sinais ali descritos viriam acontecer, como anúncio da aparição do Anticristo e do fim dos tempos.

Segue-se, agora, o texto da Profecia:
“A Vinda do Anticristo”
“Depois do ano 1900, por meados do século XX, as pessoas desse tempo tornar-se-ão irreconhecíveis ... Quando se aproximar o tempo da vinda do Anticristo, a inteligência dos homens será obscurecida pelas paixões carnais: a degradação e o desregramento acentuar-se-ão. O mundo, então, tornar-se-á irreconhecível. As pessoas mudarão de aparência, e será impossível distinguir os homens das mulheres, por causa do atrevimento na maneira de se vestir e na moda de seus cabelos.
Essas pessoas serão desumanas e como autênticos animais selvagens, por causa das tentações do anticristo. Não se respeitará mais os pais e os mais idoso. O amor desaparecerá. E os pastores cristãos, bispos e sacerdotes, serão homens frívolos, completamente incapazes de distinguir o caminho à direita, ou à esquerda. Nesse tempo as leis morais e as tradições dos cristãos e da Igreja mudarão. 
As pessoas não praticarão mais a modéstia e reinará a dissipação! A mentira e a cobiça atingirão grandes proporções, e infelizes daqueles que acumularão riquezas! A luxúria, o adultério, a homossexualidade, as ações secretas e a morte serão a regra da sociedade.
Nesse tempo futuro, devido o poder de tão grandes crimes e de uma tal devassidão, as pessoas serão privadas da graça do Espírito Santo, recebida no seu batismo, e nem sequer sentirão remorsos.
As Igrejas serão privadas de pastores piedosos e tementes a Deus, e infelizes dos cristãos que restarem sobre a terra, nesse momento! Eles perderão completamente a sua Fé, porque não haverá quem lhes mostre a luz da verdade. Eles se afastarão do mundo, refugiando-se em lugares santos, na intenção de aliviar os seus sofrimentos espirituais, mas, em toda a parte, só encontrarão obstáculos e contrariedades.
Tudo isto resultará do fato de que o Anticristo deseja ser o senhor de todas as coisas, e se tornar o mestre de todo o Universo. Ele realizará milagres e sinais inexplicáveis. Dará também a um homem sem valor uma sabedoria depravada, a fim de descobrir um modo pelo qual um homem possa ter uma conversa com outro, de um canto ao outro da terra.
Nesse tempo, os homens também voarão pelos ares como os pássaros, e descerão ao seio do oceano como os peixes. E quando isso acontecer, infelizmente, essas pessoas verão as suas vidas rodeadas de conforto, sem saber, pobres almas, que tudo isso é uma fraude de Satanás.
E ele, o ímpio, inflará a ciência da vaidade, a tal ponto que ela se afastará do caminho certo e conduzirá as pessoas à perda da Fé na existência de Deus, de um Deus em Três Pessoas...
Então, Deus, infinitamente Bom, verá a decadência da raça humana, e abreviará os dias, por amor do pequeno número daqueles que deverão ser salvos, porque o Inimigo desejaria arrastar mesmo os eleitos à tentação, se isso fosse possível. Então a espada do castigo aparecerá de repente e derrubará o corruptor e seus servidores.” 

Se compararmos a Profecia de São Nilo com todas as Profecias Bíblicas, de estilo apocalíptico, notaremos uma identidade de idéias muito profundas, de forma que elas se compreendem e se completam.

As profecias Bíblicas que tratam sobre o “Fim dos Tempos” e sobre a “Vinda do Anticristo”, descrevem de forma extraordinária todos os sinais que acontecerão naqueles dias, mas só que não revelam o tempo exato em que estas coisas viriam a se realizar, ao passo que São Nilo, ao tratar sobre o mesmo assunto, indica o tempo em que tudo isso viria a acontecer. Por isto a Profecia de São Nilo torna-se uma interpretação divina e profética das Escrituras.

Portanto, diante da angustiante questão: quando será o fim dos tempos? E Quando virá o Anticristo? – podemos afirmar, com São Nilo, e sem medo de errar, que o tempo em que tudo isto começaria a realizar-se é o nosso século XX.

Deus anunciou os sinais da Parusia, e São Nilo, mais de XV séculos e meio antes, iluminando por Deus mesmo, anunciou, com extraordinária precisão, o tempo ou a época em que a Parusia começaria a acontecer.

O tempo, anunciado por São Nilo, é o século XX, ou seja, um período que vai desde 1900 até 2000. Contudo, surge aí uma dificuldade: A Profecia indica o início da época em que os sinais da Parusia começariam a realizar-se, mas ao contrário do que muitos possam pensar, não indica o tempo em que esta Profecia concluir-se-á, de tal modo que o “fim” pode ser muito depois do ano 2000.

São Nilo marcou, e com extraordinária precisão, o início de sua Profecia para “meados do século XX”, ou seja, alguns anos depois da metade deste século.

Como todos sabem, “um século” tem “cem anos”, e a metade de “cem” (100/2) é “cinqüenta” (50).  Mas, a palavra “meados” significa mais meia metade, ou seja, mais uns “vinte e cinco” anos (25).

Portanto, 1900 + 50 = 1950 + 25 = 1975, ou seja, a Profecia de São Nilo começou a cumprir-se num período que vai desde 1950 até 1975.  A parte central e a mais importante dessa Profecia, realizou-se entre os anos 50 – 70, com a realização do Concílio Vaticano II, que foi o único “Concílio atípico” da História Eclesiástica.

Depois de indicar a época em que sua Profecia começaria a se cumprir, São Nilo descreve, com uma precisão verdadeiramente admirável, o triunfo geral do pecado, ou seja, a aceitação do “liberalismo” no mundo todo.

Profetizou a revolução indumentária que, segundo Nossa Senhora de Fátima, ofenderia muito a Deus nosso Senhor. No século V as mulheres não usavam calças compridas, foi só depois dos anos 60 que esse costume se generalizou, com o surgimento do movimento “hippie”, e vulgarizado por uma maciça propaganda na imprensa tanto falada como escrita, ou seja, a nova moda foi amplamente divulgada no Cinema, na Televisão, nos Jornais e Revistas do mundo todo.

Foi nesse tempo que o Papa João XXIII, ao inaugurar o Concílio Vaticano II, recusou, e convidou todos os Padres Conciliares a recusar, a postura de ataque e defesa da verdade contra o erro, ao pronunciar as seguintes palavras: “Sempre a Igreja se opôs aos erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Nos nossos dias, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade.” (Comp. Vat. II, p. 8, Introd. Geral, Frei Boaventura Klop, O.F.M., Ed. Vozes, 4.ª ed.).

Infelizmente esse pronunciamento vai de encontro à palavra de Deus, que disse: “Porquanto o não ser proferida logo sentença contra os maus é causa de cometerem os filhos dos homens crimes sem temor algum.” (Eclesiastes, 8, 11).

Com a recusa do espírito destas palavras do Eclesiastes, o Inimigo se infiltrou na Igreja, e os Exércitos Católicos começaram a decair. Foi por causa dessas idéias que o mundanismo triunfou, e se tornou causa de perdição para um incontável número de almas.

Neste sentido o Concílio Vaticano II foi atípico porque, ao recusar a condenação dos erros atuais, acabou por condenar um passado de mais de XX séculos da Igreja. Primeiro veio a crise de moral, depois a crise de Fé e a crise dos Eclesiásticos. Depois de anunciar a crise de caridade e a crise dos Eclesiásticos, São Nilo profetizou o seguinte: “Nesse tempo as leis morais e as tradições dos cristãos e da Igreja mudarão”.

Estas palavras, que foram proferidas mais de XV séculos antes, constituem o centro da Profecia de São Nilo. Por causa disto ela é a chave que permite entender e interpretar todas as Profecias Bíblicas, as de Nossa Senhora e as dos Santos, que dizem respeito ao “Final dos Tempos”.

Estas palavras são como que a “bússola”, com a qual podemos interpretar as demais. Falo assim, porque, como todos podem ver, a Profecia de São Nilo cumpriu-se ao pé da letra, de maneira infalível.

Muitos terão medo de compreender o verdadeiro sentido destas palavras, porque elas exigem de todo bom católico uma postura de resistência às mudanças condenadas pela Profecia, e de permanência àquelas coisas que o Anticristo deseja abolir.

Mas ao lado dos que, pela covardia, desprezarão estas palavras, outros mais não darão à elas a devida importância, por causa de um triste e enganoso sentimento de escrúpulos, porque as palavras da Profecia os levarão a tomar uma postura de conflito, e mesmo de “aparente desobediência” às Autoridades Sagradas.

O escrúpulo é a tentação na qual muitos bons católicos caíram, e com isso contribuem, sem se darem conta, com a obra de demolição da Fé, que penetrou na Igreja. O escrúpulo levou muitos sacerdotes a obedecer “ordens e decretos” em desacordo formal com as Tradições da Igreja e das Escrituras; e ainda a justificarem sua obediência ao modernismo, dizendo que “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Mas que ninguém tenha escrúpulos, porque no passado já houve cristãos que resistiram mesmo às mais altas Autoridades da Igreja, em defesa e conservação da Fé.

Assim, por esta razão, o próprio Santo Atanásio, como é de todos conhecido, não hesitou em resistir e desobedecer mesmo ao Papa Libério, que o tinha proibido de combater a heresia Ariana.

Por causa disto o Papa Libério excomungou o Bispo Atanásio que, mais tarde, foi reconhecido e canonizado pela Igreja, porque no tempo da heresia Ariana, foi o único Bispo Católico, ou seja, que não pecou contra a Fé, aderindo à heresia ou deixando de combate-la.

Para não pecar contra a Fé, ele teve que “desobedecer” aos homens, para obedecer a Deus. Mais tarde São Máximo e São Sofrônio, Bispos, resistiram e desobedeceram ao Papa Honório I, porque permaneceram fiéis às Tradições dos Antigos e rejeitaram a heresia monifisita.

Por causa desta desobediência aparente, eles foram Canonizados, e o Papa Honório foi, depois de sua morte, excomungado pelo III Concílio de Constantinopla e pelo Papa São Leão II.

Eis as palavras de São Leão II, Papa: “Anatematizamos (...) Honório (Papa), que não ilustrou esta Igreja Apostólica com a doutrina da Tradição Apostólica, mas permitiu por uma traição sacrílega, que fosse maculada a Fé imaculada” (...) e “não extingüiu, como convinha à sua autoridade, a chama insipiente da heresia, mas a fomentou por sua negligência.” (Denz. Sch. 563 e 561).

O VI Concílio Ecumênico, assim se expressou, ao analisar as cartas do Papa Honório e do Patriarca Sérgio: “tendo verificado estarem elas em inteiro desacordo com os dogmas apostólicos e as definições do Santos Concílios e de todos os Padres dignos, de aprovação, e pelo contrário seguirem as falsas doutrinas dos hereges, nós as rejeitamos de modo absoluto e as execramos como nocivas às almas.” (Denz. Sch. 550).

São Máximo e São Sofrônio “desobedeceram” e “resistiram” publicamente “contra” o Papa Honório e contra todos os Prelados e Sacerdotes que apoiaram Honório e o Patriarca Sérgio na heresia monofisita, e mereceram, por causa disto, a glória dos Altares.

Honório e o Patriarca Sérgio foram apoiados por meio de uma “obediência servil”, que prefere imolar a verdade, ao invés de imolar-se pela verdade. O Padre Fernando Áreas Rifan, no que toca à obediência, disse o seguinte: “A obediência é uma virtude moral, inferior à Fé, que é uma virtude teologal. A obediência é uma virtude moral, inferior à Fé. A Fé não tem limites. A obediência os tem. Obedecer é fazer a vontade de Deus, expressa na vontade dos superiores, representantes de Deus. Mas se a ordem dos superiores se revela em contradição com a vontade de Deus, então vale aplicar a frase de São Pedro: ‘É preciso obedecer a Deus antes que aos homens’ (Atos 5,29). Assim, o 4.ª mandamento manda o filho obedecer aos pais. Mas se o pai lhe manda algo contra a vontade de Deus, o filho não deve fazer o que o pai ordena, e peca se o fizer”.

É bem conhecido de alguns um Documento, chamado Masterplano (“Plano da maçonaria para destruir a Igreja”), onde está escrito que “o plano” seria “executado pelos bons católicos”, que poriam em prática seus objetivos por via da obediência.

A autenticidade ou não desse Documento fica a critério de cada um, o que queremos, é mostrar, por este exemplo, o poder que uma falsa noção de obediência tem, para desviar o Clero e os fiéis do bom e reto caminho da Tradição Apostólica.

Foi no ConcílioVaticano II que mudaram as tradições da Igreja. E essas mudanças foram impostas à toda Igreja, em nome da obediência. Mudaram a Missa, introduziram a Comunhão na mão e em pé, tiraram o véu da cabeça das mulheres, permitiram que o mundanismo entrasse na Igreja, etc.

Do Concílio Vaticano II saiu uma mudança radical, um rompimento formal com a Tradição, em suma, saiu dali uma nova Igreja. Saiu dali o “cisma mortal”, de que fala a Profecia de Lerida.

Mas assim como, no tempo do Papa Honório e do Papa Libério, houve Prelados que se opuseram às novidades, como São Máximo, São Sofrônio, e Santo Atanásio, que, por sinal, foram excomungados, porque desobedeceram aos homens, para obedecer a Deus, também no tempo do Concílio Vaticano II, e em nosso tempo, houve e há Prelados que resistiram e resistem às mudanças, e foram obrigados a “desobedecerem” aos Papas Paulo VI, João Paulo I, e João Paulo II, para permanecerem fiéis às Tradições Imutáveis da Igreja, tais como a Doutrina, a Missa Tridentina, o Catecismo, etc.

Estes Prelados foram os Bispos Dom Marcel Lefebvre e Dom Antonio de Castro Mayer. Por causa desta resistência eles foram excomungados pela Santa Sé, em junho de 1988. As Fraternidades Sacerdotais, por eles fundadas, continuam, ainda hoje, com a graça de Deus e da Virgem, resistindo firmes contra o modernismo demolidor da Fé, que se instalou na Igreja.

Como estes dignos Prelados já estivessem em idade avançada, e temendo que já estivessem perto da morte, e para garantir a sobrevivência de suas Fraternidades Sacerdotais, cuja missão era a de dar continuidade às Tradições da Igreja, principalmente à Missa Tridentina, e aos Sacerdotes formados segundo o espírito do Concílio de Trento, Dom Lefebvre pediu, várias vezes, à Santa Sé a autorização para a sagração de pelo menos uns dois Bispos. A Santa Sé negou, diplomaticamente, este pedido. Como a sobrevivência de suas Fraternidades exigia novos Bispos, ele sagrou, mesmo sem a licença de Roma, quatro Bispos para a Tradição, incorrendo, com isso na excomunhão prevista no código 1382, do Direito Canônico.

Hoje em dia, por causa dos códigos 1321, 1323 e 1324, do Direito Canônico, conforme declaração de vários canonistas, eles já não são mais considerados “rebeldes” e “excomungados”, porque estes cânones tornam nula a pena prevista no código 1382, por causa das razões que motivaram Dom Lefebvre proceder às sagrações sem mandato pontifício.

O próprio Cardeal Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, declarou nula e sem efeito a excomunhão que o Bispo de Honolulu, no Havaí, lançou contra um grupo de fiéis que mantêm uma Capela assistida pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, por ocasião de Crismas realizadas por Dom Richard Williamson, Bispo sagrado por Dom Lefebvre sem o mandato pontifício.

Diz a História da Igreja que Santo Atanásio sagrou 14 Bispos, “fora dos limites de sua jurisdição”, e que o muito Santo Eusébio também impôs “as mãos fora dos limites.” (Patres Graeci e Migne).

São Teodoro Estudita, ao comentar estes fatos, diz o seguinte: “Em razão de imperiosas necessidades, nem tudo, em momentos críticos onde campeia a heresia, se faz exatamente o que se estabeleceu em tempos de paz. Ora, eis precisamente o que o bem-aventurado Atanásio e o muito santo Eusébio fizeram manifestamente: ambos impuseram as mãos fora dos limites (de sua jurisdição)”. (Patres Graeci. Migne. V. 99, col. 1645 – 1648).

Portanto, em tempos de crise de Fé, quando essa crise atinge as próprias autoridades, a obediência torna-se relativa, ou seja, limitada pelos dogmas de Fé e pelas Tradições Apostólicas.

O modernismo foi excomungado pelo Papa São Pio X, e a liturgia da missa nova viola, entre outras coisas, o cânon 9 da Sessão XXII do Concílio Tridentino, incorrendo, “ipso facto”, nos “anátemas” que ali foram pronunciados. O Concílio Vaticano II violou, entre outros, a Bula “Quo Primum Tempore”, de São Pio V, a “Mirarivos”, a “Mortalium animus”, o “Sílabus”, a “Pascendi”, a “Mediator Del”, e nenhuma Autoridade Vaticana teve a coragem de condenar esses erros, mas tiveram a coragem de condenar àqueles que estão impugnando o modernismo violador destes Documentos e de toda a Tradição Apostólica.

A Tradição Apostólica, violada pela Igreja Pós Conciliar, tem uma importância de origem Divina, e por isso não pode ser violada. São Paulo Apóstolo sempre ordena a fidelidade às Tradições Apostólicas (II Tess. 2, 14; 3, 6; 13-15;etc.). Os Padres da Igreja, dignos de aprovação, elegeram a Tradição Apostólica como critério de verdade, que serve para distinguir o “joio” do “trigo”, ou seja, os hereges dos católicos.

São Vicente de Lerins, no que toca às Tradições, escreve o seguinte: “Na Igreja Católica, deve-se ter sumo empenho em que mantenhamos aquilo que foi crido em toda a parte, sempre e por todos, pois isto é que é verdadeira e propriamente católico. (...) Portanto, pregar algo aos católicos fora daquilo que eles receberam, nunca foi lícito, em parte alguma é lícito, e nunca será lícito; e anatematizar aqueles que anunciam algo fora do que foi uma vez aceito, foi sempre necessário, em toda a parte é necessário e sempre será necessário.” (Communitorium, Ench. Patr. 2168).

Pois bem, o Concílio Vaticano II rompeu com todas as Tradições do passado, e construiu uma nova Igreja, por isso os Tradicionalistas, e mais alguns outros, resistiram firmemente à essa crise de Fé, que foi Profetizada muitos séculos antes por nosso Senhor, pelos seus Santos Apóstolos, por São Nilo, por São Boaventura, por São Vicente Ferrer, e por Nossa Senhora: em Quito, La Salette e em Fátima.

O Papa Adriano II, ao analisar o caso do Papa Honório, declarou que a resistência dos inferiores aos superiores torna-se legítima em tempos críticos e de crise de fé, ao dizer: “Honório foi anatematizado pelos Orientais; mas deve-se recordar que ele foi acusado de heresia, único crime que torna legítima a resistência dos inferiores aos superiores, bem como a rejeição de suas doutrinas perniciosas.”
(Alloc. III lect. In Conc. VIII, act, VII, citado por Pes.
Trads in “A missa nova: um caso de consciência, p. 3).

O Papa Honório foi excomungado pela Igreja, mas isso não significa, de maneira alguma, que ele tenha sido condenado ao Inferno; ele pode, mesmo penalizado pela excomunhão, estar no céu ou no purgatório. A Igreja o excomungou a fim de que ninguém seguisse seus erros e fraquezas.

São Gregório Magno, o Papa Místico, profetizou o silêncio dos Pontífices, no seu comentário sobre o Anticristo, ao dizer: “a boca da verdade calará”, e “calar-se-á aquele que deveria falar”.

Todo o drama do “Final dos Tempos” está desenhado na Profecia de São Nilo, de modo a marcar, com extraordinária precisão, o tempo exato em que todas as Profecias começariam a realizar-se.

Fidelidade heróica às Tradições da Igreja é uma das principais mensagens da Profecia de São Nilo.

São Nilo, rogai por nós!

Fonte: Site Rainha Maria.

Assis 1986, o Encontro Panteísta do Beato João Paulo II


João Paulo II cumprimenta um "sacerdote" do Voodú Africano. (Assis, 1986)

Assis, 27 de Outubro de 1986. No encontro pela paz não faltaram os sacerdotes Vudus. Embora praticantes da magia negra, das orgias sexuais, do sacrifício de crianças, até a eles foi concedido o mesmo tratamento das outras confissões e foi-lhes até reservado um local para praticaremo seu culto de adoração.

O gesto de João Paulo II de reunir em Assis, em 1986, e presidir às maiores religiões do mundo para uma oração pela paz, foi um gesto que provocou profunda indignação e reprovação, porque foi uma ofensa a Deus no Seu Primeiro Mandamento, porque aquele gesto negou a unicidade da Igreja e da sua missão salvadora; porque aquele gesto abriu decididamente os fiéis Católicos ao indiferentismo; porque aquele gesto enganou ainda os infiéis adeptos das outras religiões.

Porventura não disse São Paulo que estes falsos “deuses”

são anjos decaídos, ou seja, demónios? «Ora, não quero que entreis em comunhão com o demônio. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice do demônio; não podeis participar na mesa do Senhor e na mesa do demónio!
» (1 Cor. 20-21).

E ainda São Paulo escreve: «Não queirais emparelharvos a um jugo estranho com os infiéis.Pois que consórcio pode existir entre a justiça e a iniquidade, ou que sociedade entre a luz e as trevas? Ou que acôrdo entre Cristo e Belial? Que coisa de comum entre o fiel e o infiel? Que acôrdo entre o templo de Deus e o dos ídolos?
» (II Cor. 6. 14-15).

Neste Congresso-simbiose das inumeráveis religiões, estiveram presentes mesmo os adoradores da serpente vudu (adoradores de Satanás!) e até aqueles que não crêem em algum “deus” determinado, profanando, deste modo, a Basílica de São Francisco. Além disso, para “não ofender”estas falsas religiões, foi impedido o ingresso na Basílica da imagem da Senhora de Fátima e permitido que se colocasse no altar uma estátua de Buda… mesmo sobre o Sacrário! Além disso, tal profanação praticou-se ainda na Basílica de São Pedro, em Roma, e depois em Bruxelas, em Bolonha e noutras dioceses, como na Catedral de Amiens…

Estátua de Buda no lugar do Crucifixo sobre o tabernáculo do Santíssimo Sacramento, no altar da Igreja de S. Pedro em Assis.
 No Osservatore Romano de 3 de Fevereiro de 1990, lêse:
«Entramos, com o Vaticano II, numa época ecumênica… a tarefa não é fácil. Não se pode fazer, em curto período, o que foi feito em sentido contrário durante um longo período».

Deste modo, é claro que João Paulo II era contrário ao
“passado”, isto é, à “Tradição da Igreja”, ao trabalho
dos seus predecessores… Mas, se vistas as consequências, quais sejam: apostasia nas nações Católicas; difusão das seitas; desaparição gradual, mas contínua, do sacerdócio; “diálogo”, que substituiu o dizer categórico de Cristo.

O Dalai Lama, o homem mais visto no encontro de Assis a seguir a João Paulo II, é a máxima autoridade do budismo tibetano, isto é, de uma religião ateia. Disse-o ele mesmo: «Do meu ponto de vista, pode-se dizer com certeza que a teoria socialista se avizinha muito da doutrina budista… budismo e socialismo negam, ambos, a existência de um ser superior criador do universo


Para o budismo, o real é o vazio absoluto e todo o ser é ilusão fantasmagórica do nosso “eu”, que, por sua vez, é auto-ilusão, e a libertação que um budista deseja consiste no aniquilamento do “eu” no “nirvana”, pois aquele que se ilude em se salvar pelas boas obras está no mesmo engano daquele que se abandona, sem escrúpulos, às paixões e aos vícios. A este paradoxal ensinamento, que apresenta o Bem como um engano mais subtil e, por isso, mais temível e maléfico do que o Mal, se junta o tantrismo budista: a “via” mais elevada de “salvação” budista, denominada “Vayarayana”, (que significa “via do órgão sexual masculino”), enquadra-se na categoria das práticas perversas que utilizamos desejos e as paixões do homem, sobrepondo-se ao controle do indiferentismo budista, que se alcança na dedicação a ritos obscenos e orgiásticos. 
Se bem que nem todas as escolas tântricas budistas chegaram na prática da sua doutrina a consequências extremas, justificando o homicídio, a luxúria e a embriaguês ritual, o acto sexual independente de qualquer vínculo conjugal, o “coito ritual”, constitui uma prática fundamental do budismo iniciático, em particular do lamaísmo. Outra “via” assaz importante do tantrismo budista, todo alimentado de magia, de demonismo e de obscenidade, é o “Kalachakra”. Esta iniciação, no seu conjunto, é considerada secretíssima e o Dalai Lama, que realmente é seu depositário, transmite-a com muita parcimónia, dadas as suas características e a força psíquica que desencadeia no discípulo; forças obscuras e devoradoras, que facilmente levam a quem as invoca a perder-se nos meandros sem regresso de uma loucura
povoada de formas demoníacas.

A obra em verso que transmite a mensagem do “Kalachakra” aponta, nos versículos 151 e 152, Jesus de Nazaré ao desprezo dos seus seguidores, como mestre herético de povos bárbaros! Neste encontro inter-religioso, os franciscanos de Assis, num excesso de
espírito ecumênico, ecologista e panteísta, prestaram-se a montar em volta da Basílica de São Francisco uma “Ara Viridis”, isto é, um “Altar Verde”, espécie de altar ao Grande Deus Pã, que deveria estar pronto em 1992, ano do nascimento da Europa dos Banqueiros e das Holdings.

No ritual do 32º grau da Maçonaria de Rito Escocês Antigo e Aceite, o Grão Mestre dirige ao adepto estas aplavras: «Quando virá o tempo da ceifa, quando serão libertadas as fundações mais profundas sobre as quais repousam todas as religiões; talvez estas fundações sirvam ainda uma vez de asilo, como de outra vez as catacumbas e as criptas das nossas catedrais. Aqueles que, num ou noutro culto, aspiram a algo de mais puro, os que se encontram nos seus ritos, nos sacrifícios, nos ofícios e nas orações do círculo religioso onde o destino os levou… esses sim, deixarão atrás as coisas que veneramos e que ensinamos no pagode hindu, na vihara budista, na igreja maometana e na igreja cristã. Mas cada um levará consigo, para a quietude da cripta, aquilo que mais estima, a pérola mais preciosa da sua herança. Essa cripta, ainda estreita e obscura, todavia já foi visitada por aqueles que se afastam do tumulta das multidões, do deslumbramento das luzes, do contraste dasopiniões. Quem sabe? Com o tempo crescerá talvez em extensão e será mais luminosa, até que a cripta do passado se tornará, um dia, a Igreja do Futuro».

A jornada de Assis de 27 de Outubro de 1986, foi alvorada de que dia

Talvez fosse então que, na esteira do ecumenismo e do irenismo do Vaticano II, começou a surgir menos o “contraste das opiniões” e a cripta da Loja Maçônica a dilatar-se para se tornar o templo universal da Nova Ordem Mundial?

domingo, 4 de setembro de 2011

A primeira etapa da reforma litúrgica. - Parte final

A quase totalidade dos teólogos atuais e o magistério dos últimos cinqüenta anos sustentam que o episcopado é uma ordem bem distinta do sacerdócio 40. A concepção medieval diz que não há senão uma diferença de grau entre o sacerdócio e o episcopado; o padre recebeu por sua ordenação todos os poderes episcopais, mas estes lhes são atados 41. Fala-se, a este respeito, da não-sacramentalidade do episcopado. No entanto, no âmbito do sinal, ou seja, da liturgia, constata-se um movimento inverso: enquanto que o rito Romano tradicional torna nitidamente visível a diferença de grau entre o presbiterado e o episcopado, e isso pelas numerosas variações entre a missa pontifical e a missa solene, o novo rito de 1965 (como o de Paulo VI) não manifesta mais de maneira distinta a diferença entre o padre e o bispo. Os padres têm, doravante, privilégios pontificais: podem presidir desde a banqueta -- ou se deveria dizer “pontificar à banqueta”? Quanto aos bispos, podem doravante celebrar uma missa solene como simples padres, sem nenhuma diferença litúrgica com estes últimos, sem nenhum gesto exprimindo a plenitude do sacerdócio que receberam. No entanto, como afirmou um liturgista ao concluir um estudo sobre o cerimonial Papal:
“Dos ritos significativos que cercam a celebração sacramental, Santo Tomás de Aquino diz que alguns são realizados a fim de representar a Paixão de Cristo, outros se referem ao Corpo Místico que é manifestado por este sacramento, outros, por último, exprimem a devoção e a reverência devidas a este mistério. 42 O aspecto cerimonial nos parece consistir, sobretudo, na manifestação da estrutura hierárquica da Igreja na celebração do sacramento. Conclui-se que os livros litúrgicos (...) contemplam a celebração eucarística como o ato por excelência no qual a Igreja se realiza. Eles se organizam e se estruturam em torno do ato central do sacrifício sobre a base de uma tradição teológica e de uma tradição litúrgica intimamente relacionadas e, hoje, infelizmente, contestadas” 43 Com 1965 chega o reino do vel, vel, vel [ndr: ou, ou, ou em latim] e isso faz a alegria do Padre Jounel:
“Ressaltamos que o Ritus servandus de 1570 recusava ao celebrante qualquer liberdade na apreciação das condições concretas da celebração. Ora, o Ritus de 1965 oferece constantemente a escolha entre diversas soluções: por exemplo, após o Kyrie o celebrante se dirige à sede “ao menos que, de acordo com a disposição de cada igreja, pareça-lhe melhor permanecer ao altar até a oração” (RS 23); do mesmo modo, vários casos estão previstos para as leituras; o celebrante faz a homilia e dirige a oração universal “desde sua sede, do altar, do ambão ou da cancela [ndr: a parte superior da igreja próxima ao altar-mor, separada do restante por uma cancela]”, de maneira a assegurar a participação do fiéis nas melhores condições (RS 50,51). ” 44
Os fiéis deverão se habituar em adentrar uma igreja atendida por um padre “tradicional”, como os outros fiéis em qualquer paróquia, sem saber a que se assemelhará a sua missa dominical? Como não se sentir como uma “cobaia” nas mãos de padres que não deixarão de fazer “experiências litúrgicas” e de dar vazão às suas fantasias, ao seu humor do dia, resumidamente, à sua subjetividade? 45 Tomemos o exemplo do Pater cantado ou recitado por todos no rito de 1965 (ponto que, em si, não é importante). Por que querer a todo custo alterar o costume tradicional estabelecido em nossas comunidades, sob unânime satisfação dos fiéis? Não seria para acostumar os nossos fiéis às mudanças, para fazê-los adentrar uma mentalidade nova, este novo “espírito”?
Afirmamos a relação profunda que existe entre o dogma e a liturgia, havendo, com efeito, uma relação íntima entre os dois “da mesma maneira que a alma não se faz senão uma com o corpo e que o pensamento se exprime, através de uma misteriosa unidade, pela palavra pronunciada. O dogma e a liturgia têm por finalidade última e comum a salvação das almas, o que é idêntico ao único fim ao qual pode tender o homem”. 46
A liturgia segue paralelamente o progresso do dogma. Conseqüentemente, se há um desenvolvimento da liturgia, este corresponde a um progresso do dogma 47. No caso que nos interessa, qual desenvolvimento do dogma justifica tal mudança na liturgia? Pode-se realmente qualificar de progresso uma tal evolução?
Nas sucessivas reformas dos anos 60, não se quis mais considerar o dogma e continuar a construir sobre esta rocha, mas preferiu-se aventurar-se sobre as areias movediças de uma história de ritos arqueologizantes, da sociologia 48, da “pastoral moderna” 49, do ecumenismo, etc. Assim, por todas as razões mencionadas neste trabalho, não nos é possível aceitar o rito de 1965, que conduz ao rito de Paulo VI, pois provêm dos mesmos princípios. Ademais, no período de crise que atravessa a Igreja, é importante não alterar em nada a liturgia 50. O Papa São Pio V o havia compreendido bem quando codificou o Rito Romano, que a petrificava, certamente, mas sobretudo a protegia da heterodoxia. Deveremos esperar tempos melhores antes de aceitar quaisquer mudanças, que não virão de outro lugar senão da autoridade: Roma. 51

Fonte: Fratres in Unum